Tratamento farmacológico da Depressão

Tratamento farmacológico da Depressão

Os dois principais grupos de fármacos, os antidepressivos tricíclicos e os inibidores selectivos da recaptação da serotonina (SSRIs), são igualmente eficazes como tratamento de primeira linha. Os doentes geralmente toleram melhor os SSRIs do que os antidepressivos tricíclicos ( como é demonstrado pela menor taxa de abandono em ensaios clínicos).

Os antidepressivos tricíclicos são usados na depressão há mais de 50 anos. Eles inibem a recaptação da serotonina e noradrenalina, mas também bloqueiam os receptores H1 e alfa 1. Têm mais efeitos anticolinérgicos do que os SSRIs (boca seca, obstipação, visão turva, hipotensão postural, retenção urinária), e são cardiotóxicos em doses elevadas. A lofepramina é a excepção, tendo menos efeitos secundários e sendo relativamente segura mesmo em doses altas.

Existem seis SSRIs actualmente disponíveis no Reino Unido, o citalopram, o escitalopram, a fluoxetina, a fluvoxamina, a paroxetina e a sertalina.

Os dados respeitantes à sobredosagem por SSRIs são favoráveis comparativamente com os antidepressivos tricíclicos, e os efeitos anticolinérgicos são raros. Os efeitos secundários mais frequentes são as náuseas e a diarreia. A função sexual também pode ser afectada, particularmente nos homens, com diminuição da libido, disfunção eréctil e dificuldade de atingir o orgasmo. Existe evidência que sugere que o escitalopram tem um início de acção mais rápido e uma eficácia superior ao citalopram.

Outros fármacos utilizados como terapêutica de segunda linha incluem a venlafaxina (um inibidor da recaptação da serotonina e noradrenalina, SNRI), a reboxetina, a mirtazapina (um antidepressivo noradrenérgico e serotoninérgico específico, NaSSA), e a moclobamida (um inibidor reversível da monoamino oxidase, RIMA)

A venlafaxina em doses baixas (75 mg) actua como um SSRI. Em doses mais altas (150-300 mg) a venlafaxina pode ser mais eficaz do que os SSRIs na depressão moderada a grave,’ possivelmente devido à acção adicional sobre a recaptação da noradrenalina. Porém, deve-se excluir a existência de uma hipertensão.

A mirtazapina é mais sedativa do que os novos fármacos. Tem menos efeitos secundários, nomeadamente anti-colinérgicos, e não tem efeito sobre a função sexual, mas a sonolência diurna e o aumento de peso podem não ser bem tolerados. É particularmente útil na depressão com agitação e insónia.

Durante a primeira semana de tratamento muitas vezes os doentes referem tonturas, náuseas e outros efeitos secundários minor, mas estes habitualmente desaparecem na segunda semana. A melhoria clínica pode observar-se a partir da segunda semana, mas a resposta completa pode demorar 6 a 8 semanas. Num ensaio que incluiu doentes a fazer tratamento com fluoxetina, 36% dos doentes sem melhoria às 2 semanas referiam uma melhoria às 8 semanas; 19% dos doentes que não tinham melhorado às 4 semanas, responderam às 8 semanas; e 7% dos doentes sem melhoria às 6 semanas, tinham respondido às 8 semanas.

Mais de metade dos doentes melhora com o primeiro antidepressivo que lhe é prescrito. Porém, com os vários antidepressivos existentes mais de 80% dos doentes eventualmente respondem à terapêutica. Se o doente não responde ao tratamento em 6 semanas, antes de mudar a medicação ou de aumentar as doses do fármaco o diagnóstico deve ser confirmado, certificando que o doente tomou a medicação correctamente e tentando perceber se as condições sociais, outras doenças ou o excesso de consumo de álcool podem ter tido influência. Seria lógico mudar para um fármaco de uma classe diferente (mas existe pouca evidência de que isto seja mais eficaz do que a mudança para um outro fármaco da mesma classe).

Se os efeitos secundários forem um problema, a mudança dentro da mesma classe é razoável. Por exemplo, num ensaio, a maioria dos doentes com intolerância à fluoxetina podiam tomar a sertalina.

A mudança de antidepressivo pode ser muito difícil, envolvendo períodos de “washout” ou terapêutica cruzada.

Os doentes devem ser referenciados quando existe:

  • falência no tratamento — dois antide-pressivos dados nas doses adequadas durante pelos menos 6 semanas cada;
  • depressão psicótica ou perturbação bipolar;
  • alto risco de suicídio;
  • incerteza no diagnóstico;
  • lentidão psicomotora em idosos (pode ser necessária terapêutica electroconvulsiva);
  • factores de co-morbilidade tais como abuso de substâncias ou perturbação da personalidade.

Duração do tratamento

Existe evidência de que os doentes com um primeiro episódio de depressão major devem tomar a medicação durante 4-6 meses (12 meses nos idosos’) após a remissão dos sintomas para minimizar o risco de recaída. ’2 Os doentes que tiveram vários episódios de depressão major podem ter que fazer períodos mais longos de tratamento. Obviamente, quanto menos efeitos secundários, maior a probabilidade de o doente continuar a medicação.

Paragem do tratamento

É sensato não parar o tratamento abruptamente, especialmente com a paroxetina e a venlafaxina, pois podem ocorrer reacções de privação. Estas incluem desconforto abdominal, insónias, tonturas e sintomas gastrointestinais e duram aproximadamente 2 semanas. Se um doente estiver a tomar mais do que a dose standard destes fármacos há mais de 6 meses, é prudente reduzir progressivamente a medicação durante 6 semanas ou mais. A fluoxetina tem uma semi-vida tão longa que as reacções de privação são raras.

  • Patyfcr

    Olá! Gostaria de uma opinião: Tomo 150mg de sertralina, meu médico trocou para Lexapro 10mg, posso fazer a troca sem o “desmame”?
    Ele disse que poderia, mas estou com medo.

    • Berto Serrano

      Pode mudar sem medo! Visto que o Escitalopram é de longe muito melhor e mais potente doq a Sertralina.

  • Sandra MMaciel

    Eu fiz uso de sulpirida 50mg, prescrito pela obstetra no fina da gravidez, mas fiz uso da medicação somente após 4 meses do parto, porque não senti segurança em tomar e como não tive mais leite e não pude mais amamentar inicie neste período. Estou tomando há um mês. Agora fui ao psiquiatra e o mesmo me prescreveu venlafaxina de 50mg, uma vez ao dia, para início imediato. Posso tomar sem fazer nenhuma pausa com relação a outra medicação? Não terei nenhum efeito adverso?

  • pcp

    tomo venlafaxina a mais de anos, fiquei sem por 3 meses, mas não consegui continuar sem e voltei, mas os efeitos, principalmente a sexual me deixa muito chateado, teria um similar ou melhor?

  • fernanda

    tive crise de panico e ansiedade, uso exodus 10mg, mas, engordei 30kgs em una ano de uso, gostaria de trocar.
    por qual seria interessante trocar e como trocar???
    obrigada

  • claudia vieira santos

    eu estou fazendo tratamento com a fluoxetina e o meu mudou para o citalopram,em quanto tempo eu vou começar a melhorar?e a fluoxetina eu parei e de imediato comecei o tratamento com o citalopram,tem umas 3semanas de uso dos dois!responda pois estou com medo do remedio ñ fazer efeito

    • MARIA HELENA

      OI CLAUDIA!!
      PODE TOMAR CITALOPRAM SIM ESSE REMEDIO É ÓTIMO.
      ELE É UM POUCO CARO MAS PODE ENTRAR NA JUSTIÇA PRA GANHAR O MEDICAMENTO. OLHA EU VOU TOMAR OUTRO REMEDIO VENLAFAXINA PRA ANSIEDADE MINHA ANSIEDADE É MUITO FORTE AS VEZ EU PRECISO INTERNAR.
      MAS O CITALOPRAM PODE TOMAR SEM MEDO.
      UM ABRAÇO AMIGA!!!! MELHORAS

  • Catarina Ribeiro

    Boa tarde,
    A minha mãe, diagnosticada com depressão “major” e ansiedade+insónia: toma sertalina e mirtazapina (75) e tb alprazolam.. Mas já engordou 10 kg com as fomes que tem à noite, (qd toma a mirtazipina). Será que pode mudar para a venlafaxina À noite?
    M. Obrigada

    • MARIA HELENA

      oi catarina !!!
      eu acho bom ela mudar pra venlafaxina sim é muito bom esse medicamento.
      só que é muito caro , se vc entrar com uma ação judicial vc consegue pelo governo

  • sheila cristina

    Foi indicado para venlafaxina 75 mg e iniciar fluoxetina 20mg pode ser feito isso sem uma pausa?

  • isabel

    Tomo 10 mg de escitalopram acho que não ta fazendo muito efeito e ainda estou engordando, sera que poderia mudar direto pra fluoxetina ou bupopriona sem desmame

  • vera rodrigues

    Tomo venlafaxina 75mg sem parar a uns 2 anos,tudo bem nao tem problema?Estou sentido que estou engordando sera por isso?

  • Fábio Barbosa

    olá!
    venho me tratando com venlaxin de 150mg, na dose de 300mg/dia, sendo um pela manhã e um a noite.
    mesmo assim, venho tendo episódios constantes de crises depressivas que me impendem de trabalhar, além dos demais sintomas normais da depressão: passo o dia deitado, sem tomar banho, escovar os dentes…
    o que pode estar errado?
    creio não serem normais essas reações.