Diagnóstico da Depressão
Os sintomas de depressão variam desde o humor deprimido até uma doença psicótica grave. A distimia é um estado depressivo ligeiro e crónico com duração superior a dois anos.
Os dois sistemas de classificação e diagnóstico utilizados no Reino Unido são o "American Psychiatric Association's Diagnostic and Statistical Manual" (DSM-IV) e a "International Classification os Diseases", 10ª versão (ICD-10). A classificação DSM-IV é complicada porque exclui os doentes com sintomas que podem ser atribuídos a uma doença física ou luto recente.
Diagnosticar uma depressão usando um questionário ou entrevista não é prático para a maioria dos clínicos gerais. Um método de rastreio simples consiste em colocar apenas duas questões:
- "Durante o último mês andou preocupado por se sentir cansado, deprimido ou infeliz?"
- "Durante o último mês andou preocupado por ter pouco interesse ou prazer em fazer as coisas?"
Se a resposta a ambas as perguntas for não é pouco provável que o doente tenha uma depressão. Responder "sim" a uma delas tem uma sensibilidade de 96% e uma especificidade de 57% para a depressão major.
Os clínicos gerais têm sido criticados porque muitas vezes não diagnosticam a depressão. Têm falta de tempo, de treino relativamente a consultas centradas no doente ou podem estar demasiado preocupados em excluir doenças orgânicas. Podem encarar a depressão como uma reacção normal à doença. Os termos depressão "reactiva" e "endógena" já não são muito utilizados, pois têm pouca relevância nas decisões terapêuticas e a maioria dos episódios de depressão major é precedida por acontecimentos adversos.
O diagnóstico precoce da depressão pode diminuir o tempo de sofrimento do doente, e existe evidência de que reduz o tempo de evolução da doença. Porém, não existe evidência de que o diagnóstico precoce melhore a evolução a médio e longo prazo.
É importante avaliar o risco de suicídio. Perguntar "Acha que não vale a pena viver?" não aumenta o risco, só por fazer o doente pensar sobre o assunto. Se o doente tem pensamentos suicidas, indague sobre os planos, intenções, tentativas de suicídio anteriores e o que os impede de se suicidarem. Os clínicos gerais devem actuar com base nestas informações. Alguns médicos usam um "contrato" escrito que o doente assina, comprometendo-se a não cometer suicídio. Pode ser necessário envolver a família e os amigos para vigiar o doente. Alguns doentes apresentam um maior risco, por exemplo, os doentes em luto, os idosos, homens a viver sozinhos, aqueles que já tentaram suicidar-se ou que têm história familiar de suicídio e os doentes toxico dependentes.