Avanços futuros no tratamento
As orientações mais recentes do NICE sugerem que a terapia cognitivo comportamental computorizada poderia ser uma forma eficaz de psicoterapia, mas conclui que é necessária mais investigação.
Quando os antidepressivos isoladamente não são eficazes, algumas autoridades recomendam associar o lítio, a tri-iodotironina ou as benzodiazepinas. O pindolol pode aumentar a acção dos SSRIs bloqueando os receptores inibidores da 5-HT e melhorando a transmissão serotoninergica.
Existem fármacos que têm uma acção sobre a noradrenalina, outros sobre a serotonina e alguns actuam em ambas.
Se aceitarmos a hipótese da monoamina para a depressão, um fármaco com uma acção tripla sobre os sistemas da serotonina, noradrenalina e dopamina pode ainda ser mais eficaz. Existe actualmente um em fase 2 de investigação nos EUA.
Um excesso de produção do factor de libertação da corticotrofina (CRF) está associado a características biológicas de depressão, tais como cansaço, letargia, diminuição da libido, e perturbação do sono e do apetite. Os fármacos que bloqueiam a CRF têm um efeito ansiolitico e antidepressivo.
A substância P é um dos 40 péptidos que actuam como transmissores químicos no locus ceruleus, uma área do cérebro responsável pela regulação do humor.
Cientistas desenvolveram antagonistas da substância P para bloquear a activação nervosa nesta área.
As citoquinas, tais como a interleucina e o interferão, são utilizadas no tratamento do cancro e de algumas situações inflamatórias (hepatite, esclerose múltipla). Muitas vezes causam depressão, e está a ser estudada a ligação entre a função cerebral e o sistema imunitário para desenvolver um novo antidepressivo.
O Dr Declan McLoughlin no Hospital de Maudsley tem utilizado a estimulação magnética transcraneana (TMS) em vez da terapia electro-convulsivante (ECT) em doentes com depressão major resistente à terapêutica farmacológica.
Uma espiral electromagnética envia pulsos de magnetismo dirigidos ao lobo frontal esquerdo do cérebro. Este tratamento parece ser bem tolerado pelos doentes. Não induz convulsões e não provoca perda da memória, mas os doentes podem referir cefaleias após o tratamento. Estão a decorrer dois ensaios — um comparando a TMS com a ECT e outro utilizando a TMS associada à terapêutica farmacológica. Outros ensaios têm demonstrado que a TMS é tão eficaz como a ECT,19 e melhor do que o placebo no tratamento da depressão.