Tratamento da Depressão
No Reino Unido, a depressão é o terceiro motivo mais frequente de consultas de clínica geral. Afecta uma em cada cinco pessoas.
Em todo o mundo só as doenças cardiovasculares causam mais incapacidade e morte prematura do que a depressão.' Um clínico geral com 2.000
- 200 doentes com o diagnóstico de depressão (120 mulheres e 80 homens);
- Mais de 100 doentes com depressão ainda não diagnosticada;
- 500 consultas por ano especificamente por depressão;
- 25 doentes com depressão crónica de baixo grau de gravidade (distimia);
- 25 com depressão recorrente;
- 12 com depressão major;
- Dois doentes com internamento hospitalar por depressão major grave
- Um suicídio em cada 5 anos.
Só 20 % dos doentes com depressão apresentam como motivo de consulta um problema psicológico ou emocional.
A grande maioria dos doentes com depressão apresentam sintomas físicos inespecíficos, como cefaleias, astenia ou dores abdominais, que podem atrasar o diagnóstico. Mesmo quando confrontados com a ausência de uma causa orgânica para os seus sintomas, alguns doentes continuam a negar que estão deprimidos. Este tipo de depressão designada por "depressão mascarada" é mais frequente nos idosos. Eles podem sentir-se embaraçados e não querem ser considerados como "incapazes de enfrentar a vida". O estigma da doença mental persiste e é muito marcado em determinadas culturas. Os doentes com cancro e doença cardíaca ou neurológica muitas vezes ficam deprimidos, mas na maior parte dos casos isto é considerado "normal" atendendo à sua situação.
Os cuidados primários tratam cerca de 90% das situações de depressão, enquanto os cuidados secundários em geral tratam apenas os casos mais graves. Em cuidados primários a maioria dos doentes tem um padrão misto de depressão e ansiedade, havendo poucos com depressão major.
A depressão pode co-existir com outros problemas de saúde mental, tais como abuso de substâncias, perturbação obsessiva-compulsiva, distúrbios da personalidade ou doenças do comportamento alimentar. As mulheres sofrem mais frequentemente de depressão do que os homens (mas é possível que os homens tenham mais dificuldade em admitir que estão deprimidos). Quanto mais grave a depressão maior a probabilidade de recidivar (quando o doente teve acompanhamento psiquiátrico, o risco de recorrência é de 80%). Os doentes com história familiar de depressão major têm um risco de recorrência oito vezes maior.